É aqui que entra uma nova vaga de robots de cozinha ao estilo Thermomix: prometem receitas guiadas, controlo de temperatura preciso e uma poupança real de tempo, mas por valores bem mais baixos.
Porque é que tantos cozinheiros estão a ir além da Thermomix
A Thermomix ganhou nome como um equipamento que tritura, salteia, cozinha a vapor e mexe enquanto, na prática, só tem de ir acompanhando. Continua a fazê-lo com competência. O entrave costuma ser o preço: nos EUA e no Reino Unido, muitas vezes custa bem mais do que um bom computador portátil - e estamos a falar de um único aparelho para a cozinha.
Marcas como a Moulinex, Bosch, Kenwood, Magimix, Ninja e até retalhistas de desconto perceberam essa oportunidade. Hoje existem multicookers que misturam, aquecem e orientam receitas, mantendo-se mais perto do patamar de “Thermomix a metade do preço”.
Muitas destas máquinas juntam trituração, amassar, mexer, cozinhar a vapor e saltear numa única taça, sem entrar em preços de luxo.
Cozinheiros profissionais e padeiros caseiros exigentes tendem a olhar menos para o logótipo e mais para quatro critérios: controlo de temperatura, capacidade da taça, força do motor e a facilidade do interface quando o jantar está a atrasar. E, nestes pontos, vários concorrentes já se comparam bem ao ícone original.
Moulinex Companion Touch XL: aliado de grandes quantidades para famílias ocupadas
A Moulinex Companion Touch XL aponta diretamente a quem cozinha muito e quer reduzir louça. A taça de 4,5 litros dá para estufados generosos, molhos de massa em quantidade e preparação de refeições para vários dias. O ecrã tátil integrado apresenta receitas com passos guiados, o que ajuda quem não tem tanta confiança.
Os 14 programas automáticos tratam de cozedura lenta, sopas, vapor, massas e sobremesas. A balança incorporada permite pesar ingredientes diretamente na taça, libertando espaço na bancada e aumentando a precisão, sobretudo em pastelaria.
Uma taça grande e uma balança integrada fazem da Companion Touch XL uma ferramenta de trabalho prática, mais “trabalhadora” do que vistosa.
Bosch Cookit: tecnologia inteligente para quem gosta de ter controlo
O Cookit da Bosch aposta forte em conectividade e domínio do processo. Trabalha de 37 ºC até 200 ºC, o que tanto serve para temperar chocolate com suavidade como para selar e fritar rapidamente com intensidade. Esta amplitude é um dos pontos que mais o distingue nesta categoria.
A taça de 3 litros consegue alimentar até oito pessoas, desde que as porções sejam bem planeadas. Com 24 programas automáticos e três modos diferentes - incluindo receitas guiadas através da aplicação Home Connect - destina-se a quem aprecia estrutura, mas quer margem para ajustar.
A balança integrada e um conjunto completo de acessórios (lâminas, varas, cestos de vapor) transformam-no numa estação de preparação versátil, e não apenas numa máquina de sopas.
Kenwood Cooking Chef Experience: a arma secreta de quem faz bolos e pão
Enquanto muitos multicookers estão focados nos jantares do dia a dia, o Kenwood Cooking Chef Experience é claramente pensado para quem faz pastelaria e panificação. A enorme taça de 6,7 litros parece mais um batedeira profissional do que um gadget de bancada.
O equipamento amassa massas pesadas, bate merengues e derrete ingredientes graças ao sistema de aquecimento por indução. Na prática, dá para levedar massa, cozinhar cremes e emulsionar molhos diretamente dentro da taça de mistura.
Para fãs a sério de massa-mãe ou brioche, o Cooking Chef Experience junta a potência de uma batedeira de pedestal com controlo de temperatura preciso.
A Kenwood também comercializa vários acessórios adicionais, desde laminadores de massa a adaptadores de processador de alimentos, permitindo que a unidade se torne um “centro” para cozinhas domésticas mais ambiciosas.
Magimix Cook Expert: construção francesa e desempenho consistente
O Cook Expert da Magimix é direcionado a quem valoriza fiabilidade e um interface limpo mais do que integrações com aplicações. A taça de aço inoxidável de 3,5 litros responde bem a porções familiares, e os 12 programas automáticos cobrem essenciais como sopas, risotos, pratos a vapor e sobremesas.
O ponto que salta à vista é a ausência de balança incorporada. Para alguns utilizadores, isto é motivo suficiente para descartar; para outros, uma balança pequena à parte resolve. Em troca, obtém-se um motor robusto e um design pensado para durar - algo que chefs referem com frequência quando falam do equipamento de preparação em que confiam.
Silvercrest Monsieur Cuisine Connect: o “desmancha-prazeres” do orçamento no corredor do desconto
Se há um candidato ao título de “Thermomix a metade do preço”, é o Monsieur Cuisine Connect da Silvercrest (Lidl). Sempre que volta às lojas, é comum esgotar rapidamente.
A taça de 2,2 litros encaixa melhor em casais ou famílias pequenas, e o ecrã tátil de 7 polegadas facilita seguir receitas. A balança integrada, com capacidade até 5 kg, permite pesar diretamente na taça. A potência e o acabamento não parecem tão premium como nos rivais de gama alta, mas a diferença de preço pode chegar a várias centenas de libras ou dólares.
O Monsieur Cuisine Connect traz cozinha guiada, balança integrada e ecrã a cores para preços de supermercado.
Moulinex ClickChef HF456810: compacto e direto ao assunto
O ClickChef foi pensado para cozinhas pequenas e casas partilhadas. A capacidade de 3,6 litros fica num ponto de equilíbrio: suficiente para cozinhar em lote, sem ocupar demasiado espaço na bancada.
Cinco programas automáticos tornam a rotina mais simples: sopas, pratos guisados, massas e sobremesas. A balança integrada e um conjunto de acessórios bem escolhido permitem picar, misturar e cozinhar a vapor sem encher uma gaveta de gadgets adicionais.
Ninja Foodi Max OP500EU: panela de pressão e air fryer no mesmo corpo
O Ninja Foodi Max resolve a questão por outra via. Em vez de mexer e triturar automaticamente, junta vários métodos: pressão, air frying, cozedura lenta, assar e desidratar - tudo numa panela enorme de 7,5 litros.
Não inclui balança e também não mexe molhos ou massas por si, pelo que não é uma cópia fiel da Thermomix. Ainda assim, para famílias que cozinham em quantidade e querem comida “frita” mais estaladiça com menos óleo, acaba muitas vezes por substituir dois ou três aparelhos separados.
Kenwood CCL401WH Multi: temperaturas precisas num formato compacto
Este multicooker da Kenwood combina uma taça de 4,5 litros com seis programas automáticos e temperaturas até 180 ºC. Esse limite superior permite fritar ligeiramente e dourar de forma eficaz, algo importante para o sabor em caris, ragù ou molhos feitos a partir de sucos de frigideira.
A balança integrada elimina um passo nas receitas, e um motor de corte independente permite preparar legumes diretamente na taça antes de mudar para o modo de cozedura. Para refeições durante a semana, quando tempo e louça contam, este pormenor pode ser decisivo.
Moulinex Companion XL: grande capacidade para mesas cheias
O Companion XL mantém o formato de 4,5 litros, mas eleva a promessa de rendimento para cerca de dez porções. Os 12 programas automáticos cobrem o essencial do quotidiano, desde estufados lentos a cremes de pastelaria.
A máquina não pesa ingredientes internamente, o que pode afastar padeiros mais rigorosos. Em contrapartida, oferece algo que muitos cozinheiros apreciam: a possibilidade de cozinhar com a tampa aberta para dourar e reduzir melhor - um ponto em que multicookers totalmente fechados por vezes falham.
Cookeo Touch Wifi: cozedura sob pressão com ecrã tátil para noites apressadas
Também da Moulinex, o Cookeo Touch Wifi dá prioridade à rapidez com orientação passo a passo. A cuba de 6 litros deixa espaço para massas de uma só panela, estufados e carne desfiada. Com 16 programas automáticos, simplifica a cozedura sob pressão e a cozedura lenta para quem não quer andar a gerir tempos e definições.
A ligação Wi‑Fi acrescenta receitas novas e pequenas atualizações de software ao longo do tempo, tornando o aparelho numa ferramenta em evolução. A balança continua a ser externa, mas o interface é suficientemente simples para iniciantes que procuram resultados consistentes, repetíveis e com pouca vigilância.
Como comparam estes rivais “Thermomix a metade do preço”
| Modelo | Tamanho aproximado da taça | Balança integrada | Principal ponto forte |
|---|---|---|---|
| Moulinex Companion Touch XL | 4,5 L | Sim | Grande capacidade com receitas guiadas |
| Bosch Cookit | 3 L | Sim | Ampla gama de temperaturas, aplicação forte |
| Kenwood Cooking Chef Experience | 6,7 L | Sim | Batedeira potente com aquecimento por indução |
| Magimix Cook Expert | 3,5 L | Não | Construção durável, programas simples |
| Monsieur Cuisine Connect | 2,2 L | Sim | Preço muito agressivo |
| Ninja Foodi Max OP500EU | 7,5 L | Não | Cozedura sob pressão + air frying |
Como escolher o multicooker certo para a sua cozinha
Antes de ir atrás da promoção mais chamativa, cozinheiros experientes recomendam escolher com base nos seus hábitos reais, e não no discurso de marketing. Algumas perguntas ajudam a reduzir opções:
- Para quantas pessoas cozinha normalmente?
- Faz pão ou pastelaria com frequência, ou cozinha sobretudo pratos salgados?
- Tem pouco espaço de bancada, ou um equipamento grande pode ficar sempre à vista?
- Precisa de orientação passo a passo, ou sente-se à vontade a improvisar?
- Uma balança integrada mudaria a sua forma de cozinhar, ou já tem uma boa balança?
Quem cozinha estufados e molhos em lote precisa, antes de tudo, de capacidade; já quem faz pastelaria deve priorizar potência de mistura e precisão de temperatura.
Outro fator, menos falado, que está a empurrar esta tendência é o custo da energia. Sessões longas no forno gastam mais eletricidade ou gás do que um multicooker bem isolado a cozinhar lentamente na bancada. Algumas casas usam estas máquinas para transferir estufados demorados ou papas de aveia de noite para fora do forno, reduzindo um pouco a fatura mensal.
Para lá do gadget: competências e riscos a ter em conta
Estes aparelhos encurtam a preparação, mas não substituem o bom senso na cozinha. Continua a ser preciso provar, temperar e ajustar em função da qualidade dos ingredientes. Quem está a começar por vezes confia demasiado nos pré-programas e acaba com pratos sem graça, quando um salteado extra rápido ou um punhado de ervas teria feito toda a diferença.
Existem também riscos pequenos, mas reais, quando se trata os multicookers como robots totalmente autónomos. Encher demasiado unidades com capacidade de pressão pode bloquear válvulas, e molhos espessos podem pegar no fundo se as funções de mistura forem usadas de forma inadequada. Ler as marcas de capacidade, respeitar as quantidades de líquido recomendadas e acompanhar as primeiras utilizações de receitas novas ajuda a evitar problemas.
Para muitas famílias, o maior ganho é a consistência. Depois de afinar um bolonhesa, um caril ou uma fornada de granola, a máquina tende a repetir o resultado com menos variáveis do que um fogão a gás ou um forno “temperamental”. Com o passar dos meses, essa previsibilidade pode alterar a forma como se planeiam refeições, reduzindo encomendas de comida e diminuindo o desperdício, já que os restos são cozinhados e divididos em doses de maneira mais sistemática.
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