Muitos jardineiros de fim de semana procuram uma forma simples de travar pulgões, doenças fúngicas e danos de mastigação sem andarem sempre com o pulverizador na mão. Há uma planta quase universalmente conhecida que, durante anos, tem sido posta de lado sem razão: o cebolinho. Quando bem usado, cria uma espécie de zona de protecção à volta de tomates, morangueiros, roseiras e outras plantas - até num pequeno vaso de varanda.
Porque é que o cebolinho no canteiro funciona como um pequeno escudo
O cebolinho (Allium schoenoprasum) pertence à família das aliáceas e é uma planta perene resistente ao frio. As raízes desenvolvem-se muito perto da superfície, muitas vezes a apenas alguns centímetros de profundidade. Por isso, encaixa bem entre hortícolas plantadas de forma mais densa e arbustos ornamentais, sem lhes “roubar” água ou nutrientes.
O ponto decisivo está no aroma. O cebolinho contém compostos sulfurados, como a alicina. Para nós, o cheiro lembra uma mistura de cebola e alho - agradável; para muitas pragas, é antes um sinal repelente.
"Os compostos sulfurados do cebolinho podem limitar claramente pulgões, ácaros e doenças fúngicas - sem recorrer a químicos agressivos."
Ao mesmo tempo, as flores roxas fornecem muito néctar. Isso atrai polinizadores, como abelhas, e também auxiliares, como as moscas-das-flores. As larvas destas últimas consomem grandes quantidades de pulgões. Assim, o cebolinho actua não só de forma directa, mas também de forma indirecta, ao aumentar a presença de insectos úteis.
Como o cebolinho actua contra pragas e doenças fúngicas
Jardineiros experientes descrevem repetidamente efeitos semelhantes nas áreas onde há cebolinho:
- Os pulgões aparecem menos vezes em grandes infestações.
- Ácaros e outros insectos sugadores instalam-se com menos facilidade.
- A mosca-da-cenoura é confundida pelo cheiro e tende a evitar o canteiro.
- Em pepinos e abóboras, certas espécies de escaravelhos surgem de forma bem mais rara.
- Perto dos morangueiros, lesmas e caracóis parecem mostrar-se mais contidos.
A isto soma-se um efeito suave contra doenças fúngicas: os mesmos compostos sulfurados que incomodam as pragas também inibem determinados fungos. Proprietários de jardins relatam menos problemas com:
- mancha-negra nas roseiras,
- pedrado (sarna) em macieiras,
- certas doenças de raiz e de folhas em morangueiros.
O cebolinho não substitui cuidados correctos de cultivo, mas pode reduzir de forma perceptível a predisposição a doenças no canteiro. O essencial é garantir um local arejado e evitar plantações demasiado apertadas, para que a humidade seque rapidamente após a chuva.
As 13 melhores plantas parceiras do cebolinho
Muitas espécies tiram partido da “campânula do cebolinho” - isto é, a combinação de nuvem aromática, oferta de néctar e influência no solo. As seguintes associações estão especialmente testadas:
- Tomates: menos pulgões e ácaros, crescimento mais vigoroso em posição arejada.
- Cenouras: o cheiro intenso desorienta a mosca-da-cenoura.
- Morangueiros: diminui de forma notória a presença de lesmas e a incidência de fungos; os frutos mantêm-se saudáveis durante mais tempo.
- Alface: os insectos sugadores localizam pior as plantas; as cabeças ficam estaladiças por mais tempo.
- Pepinos: protecção contra certos escaravelhos e pulgões, sobretudo em consociação num canteiro elevado.
- Pimentos: menos danos de mastigação nas folhas, microclima mais favorável em vaso.
- Brócolos e outras couves: menor pressão de pulgões e de pulgas-da-terra.
- Roseiras: menos pulgões e um efeito perceptível na mancha-negra.
- Tulipas: ratazanas e outros roedores tendem a evitar os bolbos.
- Macieiras e outros pequenos frutos/arbustos: apoio moderado contra fungos em folhas e frutos.
- Videiras: protecção adicional das uvas no jardim, sobretudo em plantações mistas.
- Consociações com ervas aromáticas: manjericão, coentros e salsa combinam bem com cebolinho.
- Salsa em vaso: um duo popular num vaso junto à cozinha.
O aspecto mais interessante aqui é a profundidade das raízes. Tomates, pimentos, pepinos ou pequenas fruteiras enraízam em profundidade, enquanto o cebolinho se mantém muito perto da superfície. Assim, quase não competem entre si e, ainda assim, aproveitam melhor o espaço.
Onde o cebolinho mais compensa no canteiro
Na horta, faz sentido usar o cebolinho como bordadura viva. Com um espaçamento de cerca de 30 a 40 cm, formam-se pequenos tufos que emolduram tomates, alfaces, cenouras e morangueiros.
À volta de uma roseira, normalmente basta um anel com três a cinco tufos, colocado a cerca de 30 cm do caule. Desta forma, as raízes da roseira mantêm “ar”, enquanto a nuvem aromática do cebolinho actua entre folhas e botões.
No pomar, muitos jardineiros optam por um círculo de cebolinho na zona exterior da copa. É aí que escorrem a chuva e o orvalho; é também onde se concentram muitas folhas e frutos. Assim, a planta actua exactamente onde fungos e pulgões gostam mais de atacar.
Cebolinho em vaso: protecção para varanda e terraço
Em varanda e terraço, o princípio funciona quase da mesma maneira. O que conta é um recipiente suficientemente grande, com boa drenagem, e escolher bem as plantas vizinhas.
Um vaso fundo pode, por exemplo, acomodar:
- uma planta de pimento ou malagueta,
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